sábado, 24 de janeiro de 2009

Quem é ela?

Silêncio, Joana precisa pensar
Abre porta,fecha a porta
A musica, o cigarro, o boteco
E aquele seu namorado Teco
O Brasil, a Bolsa de valores
E aqueles carros da Avenida das Torres.

Porque não se preocupa em ganhar dinheiro
Casar, ou virar modelo
Ela se irrita e se entristece fácil
Não ri mais das piadas
Não crê mais em contos de fada
Quem é essa princesa encantada
Que de princesa não tem nada
E que encanta, mas não é encantada.


Quem é ela por favor
Será Joana cantora?
Atriz?
Amadora?
Que mundo é esse que a prende tanto?
Que a faz viver pelos cantos
Vive a andar pelos bares
E se mete em jogos de azares.

Joana vive inquieta
Já não anda mais em linha reta
Deu agora a faltar ao trabalho
Esquecer compromissos
Chegar atrasada ao serviço
Não quer mais acompanhar o rebanho
Os psiquiatras dizem:
- Aperte o cinto
-Não deslize
- Aprecie Kandinsky.

Mas Joana viaja distante
Sai de si e volta num instante
Hoje ela é distraída
Amanhã, decidida
Uma rosa perdida no tempo
Com espinhos venenosos, mal cheirosos.

Quem será essa menina
Que passeia no vento
E do mundo só vê as tempestades
O cinza, tormento
Dentro dela habita a Guerra do Peloponeso
Eu não sei quem é Joana
Que ao mesmo tempo chora e samba
Joana escarlate, safada, calada.

Mas refletindo tanto tempo
Acho que Joana é vento
É brisa da manha fria
Janela de onde vê, mas não quer enxergar o dia.
É poesia da noite
Canto que enlouquece o mundo
É choro vagabundo
É cinema de amor imundo
É clave de lua clara
Na noite da senzala
Faz ópera todo o dia
Uma dança de amor sombria
É caipira, é repente
Ela é atriz do mundo presente.

(poesia de Michelle Riemer)

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